quarta-feira, 30 de agosto de 2017

Erros comuns da Língua Portuguesa que são fáceis de evitar:


1. Estou viajando à trabalho
O correto: “Estou viajando a trabalho”.
A crase é uma conjunção da preposição “a” com o artigo definido “a”. Por isso, não deve ser usada antes de palavras masculinas.
2. Fazem duas horas que eu almocei
O correto: “Faz duas horas que eu almocei”.
O verbo “fazer”, quando indica tempo transcorrido, não deve ser flexionado.
3. Existe mais coisas entre o céu e a terra
O correto: “Existem mais coisas entre o céu e a terra”.
O verbo “existir” sempre tem sujeito e deve concordar com ele.
4. Houveram muitas manifestações contra a medida
O correto: “Houve muitas manifestações contra a medida”.
O verbo “haver”, usado no sentido de “existir” e “ocorrer” é impessoal e, portanto, não deve ser flexionado.
5. Assisti o filme hoje
O correto: “Assisti ao filme hoje”.
O verbo assistir, no sentido de ver, exige a preposição “a”.
6. Vim aqui afim de discutir uma questão
O correto: “Vim aqui a fim de discutir uma questão”.
“A fim” de indica ideia de finalidade. “Afim” é um adjetivo que indica ideia de semelhança. Exemplo: “Nossas crenças são afins”.
7. Ela assistiu a uma série ao invés de um filme
O correto: “Ela assistiu a uma série em vez de um filme”.
A expressão “ao invés de” é usada para oposição, e não pode ser usada quando queremos dizer “em lugar de”.
8. Seja bem vindo!
O correto: Seja bem-vindo!
“Bem-vindo” é uma exceção à regra do acordo ortográfico que determina que o advérbio mal só requer hífen se a palavra seguinte começar com vogal ou com a letra “H”.
9. Comuniquei através de um e-mail
O correto: Comuniquei por meio de um e-mail.
A locução “através de” significa atravessar fisicamente algo.
10. Aonde você mora? 
O correto: Onde você mora?
O advérbio “aonde” deve ser usado apenas quando acompanhado de verbo que exige o uso da preposição “a”.
11. Não fique mau informado
O correto: Não fique mal informado.
“Mal” é o contrário de “bem”. “Mau” é o contrário de “bom”.
12. Não há nada a fazer se não continuar caminhando
O correto: “Não há nada a fazer senão continuar caminhando”.
“Senão” significa “a não ser”, “mas” ou “caso contrário”. “Se não” acompanha orações subordinadas condicionais. Ex.: “Se não der certo, temos uma alternativa”.
13. Ele estava ali há muito tempo
O correto: “Ele estava ali havia muito tempo”.
Quando o verbo que acompanha “haver”está no imperfeito ou no mais-que-perfeito, deve-se usar “havia”, e não “há”.
14. Estava uma confusão, até que a polícia interviu. 
O correto: “Estava uma confusão, até que a polícia interveio.”
O verbo “intervir” deve ser conjugado tal qual o verbo “vir”, do qual deriva. Exemplo: “Ele veio”, “Ele interveio”.
15. Hoje quem media o debate é o professor
O correto: “Hoje quem medeia o debate é o professor”.
“Mediar” é um verbos irregular e deve ser conjugado como “incendiar”. Ex.: “Eu medeio”, “Eu incendeio”.
16. Já respondeu o meu e-mail?
O correto: Já respondeu ao meu e-mail?
“Responder” no sentido de dar resposta a alguém exige a preposição “a”.

terça-feira, 27 de junho de 2017

Oxímoro?


Camões, tão conhecido poeta português, escreveu esses versos quase todos baseados em oxímoros. Leia os versos a seguir:
“Amor é fogo que arde sem se ver
É ferida que dói e não se sente
É um contentamento descontente
É dor que desatina sem doer”.
(Camões)
Nestes versos, percebe-se que o poeta constrói o sentido do Amor-idéia, amor universal, filosofando a respeito do amor, não falando de seus sentimentos pessoais. Para isso, ele se apropria de elementos que, apesar de se excluírem mutuamente, se fundem num mesmo referente, constituindo afirmações aparentemente sem lógica.
Esse mesmo efeito de contradição acontece neste trecho de Carlos Drummond de Andrade:
“Eu fujo ou não sei não, mas é tão duro este infinito espaço ultra fechado”.
Observe que a afirmação sublinhada contraria o consenso, englobando simultaneamente duas idéias opostas. A esse tipo de figura de expressão chamamos paradoxo ou oxímoro.
O oxímoro ou paradoxo é um tipo de antítese que se manifesta de uma maneira mais radical. Apesar de serem parecidas, elas se diferenciam por que no paradoxo duas idéias opostas se excluem mutuamente num mesmo referente, criando um efeito de contradição:
“A explosiva descoberta
Ainda me atordoa.
Estou cego e vejo.
Arranco os olhos e vejo”.
(Carlos Drummond de Andrade)
“Menino do rio,
calor que provoca arrepio”.
(Caetano Veloso)
Na antítese, no entanto, o sentido é construído a partir do confronto entre idéias opostas:
“Queria um apoio, um horizonte limitado, não o mar sem fim”.  (Autran Machado)
Em síntese, oximoro ou paradoxo é a figura de linguagem que consiste em empregar palavras que, mesmo opostas quanto ao sentido se fundem num mesmo enunciado.
A canção “Sítio do Pica-pau amarelo”, de Gilberto Gil, também é famosa pelas características paradoxais que apresenta, em proporções admiravelmente inovadoras. Nela, a marmelada é feita de banana, a bananada de goiaba, entre outras.
“Marmelada de banana
Bananada de goiaba
Goiabada de marmelo
Sítio do pica-pau amarelo (bis)
Boneca de pano é gente
Sabugo de milho é gente
O sol nascente é tão belo
Sítio do pica-pau amarelo (bis)
Rios de prata piratas
Vôo sideral na mata
Universo paralelo
Sítio do pica-pau amarelo (bis)
No país da fantasia
Num estado de euforia
Cidade polichinelo
Sítio do pica-pau amarelo (bis)."

Referências Bibliográficas:
CEREJA, William Roberto e MAGALHÃES, Thereza Cochar. Literatura Brasileira em diálogo com outras literaturas. 3 ed. São Paulo, Atual editora, 2005, p.38-9.
MESQUITA, Roberto Melo. Gramática da Língua Portuguesa. 8 ed. São Paulo, Saraiva, 2005, p. 562.
PIRES, Orlando. Manual de Teoria e Técnica Literária. Rio de Janeiro, Presença, 1981, p. 103-4.
SAVIOLE, Francisco Platão. Gramática em 44 lições. 15 ed. São Paulo, Ática, 407, 12-13.

domingo, 4 de junho de 2017

Contudo ou Com tudo?

As duas foras estão corretas em seus respectivos contextos, sua pronúncia é igual, mas sua escrita e significados são diferentes. Devido a isso, ocorrem muitas confusões para escrever essas palavras, confundindo significados ou trocando as grafias.

O que significa Contudo?

Trata-se de uma conjunção adversativa, que tem como função contradizer ou dificultar alguma coisa, causando adversidades. Tem como significado mas, porém ou todavia. 
Exemplos:

“Gostaria de ir à festa, contudo não tenho companhia”
“Telefonei várias vezes para a empresa, contudo ninguém atendeu.”

O que significa com Com tudo?

Tem relação com quantidade, formada pela preposição “com” e o pronome “tudo”, tendo como significado “com todas as coisas.”

Exemplos

“Não perca: Viagem para Natal com tudo incluído”
“Vou casar com tudo o que tenho direito”
 
Gramática da Língua Portuguesa

"A fim": junto ou separado?

Surgiu a dúvida? Não sabe se é uma palavra só ou se são duas? Consulte as Dicas de Português! Haverá várias postagens sobre como grafar corretamente certas expressões – e certas palavras confundidas com expressões.
A primeira dúvida a ser extinta: “a fim” é escrito junto ou separado?
Para os sentidos que usamos mais, “a fim” se escreve separadamente:
1 – Finalidade
Pode ser substituído por “para” e “com o fim de”.

Estamos economizando dinheiro, a fim de viajarmos no final do ano.
Os cortes foram feitos a fim de evitarmos uma crise ainda maior.
Eu estudei a fim de tirar a nota máxima, mas isso não aconteceu.

Repare: na verdade, “a fim”, separado, faz parte de uma locução prepositivaa fim de.

2 – Demonstração de interesse
Coloquialmente, usamos “a fim de” no sentido de “estar com vontade de”, “desejar”, “querer”. E sempre precedido do verbo “estar”.

Eu estou a fim de ir ao cinema, mas se quiser, podemos ficar em casa.
Não estou a fim de viajar com pessoas que não conheço.
Pela sua expressão, você não está a fim de ir para a festa.

“Afim” também existe. Mas quase nunca usamos, porque faz parte de uma linguagem bastante formal. É um adjetivo! Sabia? Um adjetivo como “pequeno”, “bonito”, “estranho”. “Afim” é sinônimo de “semelhante”, “igual”, “parecido”.

Eu e meu irmão nos damos bem, pois nossas ideias são bastante afins.
Ou seja, “ideias parecidas”.

Aqui na empresa, a minha função e a sua são afins, portanto, posso ajudá-lo em qualquer dúvida.
Ou seja, “minha função e a sua são semelhantes”.

Gramática da Língua Portuguesa

quinta-feira, 25 de maio de 2017

Plural de verbos com “se” e sujeito indeterminado

Verbos flexionados com a partícula "se" e preposição ficam invariáveis no singular, mesmo com predicado plural!

Necessita-se ou necessitam-se? Trata-se ou tratam-se? Precisa-se ou precisam-se? Eis um pântano de dúvidas que nos atola pela vida afora. E quase sem razão, pois é mais fácil do que parece aprender a regra geral de regência desses verbos. Poucos deles, nessa situação, entrariam em uma dissertação, mas nas questões de múltipla escolha de vestibulares e provas eles caem sempre, pode ter certeza.

A regra geral é simples: a partícula “se” atenua o sentido do verbo e pode ou não esconder o sujeito oculto ou indeterminado. Se o verbo não pede preposição, a oração tem sujeito e o verbo sempre concordará com ele, em singular ou plural. Se o verbo pede preposição, aí ele não muda, não flexiona para o plural, porque há um sujeito indeterminado e a preposição torna o substantivo da frase um objeto direto.

Acompanhe com diferentes verbos flexionados corretamente, sem pedir preposição.  Note que em cada frase o substantivo é o sujeito:
Aluga-se casa, alugam-se casas.
Vende-se carro, vendem-se carros.
Oferece-se emprego, oferecem-se empregos.
Trata-se dor na coluna, tratam-se dores na coluna.

Nesses casos, o sujeito não é oculto e o verbo sempre concordará com ele. Basta inverter a frase para encontrá-lo:
Casa é alugada, casas são alugadas;
Carro está a venda; carros estão a venda;
Emprego é oferecido, empregos são oferecidos;
Dor na coluna é tratada; dores são tratadas.

Agora veja exemplos em que o verbo pede preposições como “de”, “com”, “para”, “a”, entre as mais comuns. Nesses casos, o verbo ficará sempre invariável, pois ele esconde o sujeito da frase, o chamado sujeito indeterminado, que corresponde à terceira pessoa do singular. Veja exemplos corretos:
Precisa-se de balconistas com experiência.
Pede-se a todos os presentes.
Necessita-se de encanadores.
Procura-se para contrataçãos imediata.
Trata-se de demandas antigas dos moradores.
A preposição introduz o objeto direto, logo há um sujeito indeterminado para o verbo. Nesses casos, deduz-se que alguém precisa, pede, necessita, procura etc, sempre no singular, na terceira pessoa.
Exceção, sempre há: o verbo tratar tem dezenas de significados. Quando significa “ter por objeto”, “versar a respeito de algo”, o verbo fica invariável, como o que utilizamos no exemplo anterior. Em outros significados, ele concorda em número com o sujeito, explicitado ou oculto na frase, mesmo pedindo preposição. São situações em que isso é bastante lógico, cremos que você não iria errar. Veja esse exemplo, em que o verbo indica conviver, manter relação:
♦ Tratam-se com bastante protocolo em público, apesar de estarem juntos há muitos anos.
É evidente que o sujeito plural foi citado em oração anterior e, aqui, está apenas oculto. O verbo tratar deve concordar com o sujeito (tratam-se), assim como o verbo estar (estarem).

http://guiadoestudante.abril.com.br/

 

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Poetisa e Poetiza

"Poetisa” e “Poetiza” são palavras homófonas, ou seja, palavras que tem o mesmo som quando são faladas, mas possuem escrita e significados diferentes.
“Poetisa” (com s) é o feminino do substantivo “Poeta”, referindo-se a uma profissão ou atividade de escrever poemas:
“Raíssa Portela é uma poetisa que está se revelando agora.”
Já “Poetiza” (com z) é o verbo “poetizar” na 3ª pessoa do singular no presente do indicativo:
“Raíssa adora escrever, ela poetiza qualquer situação ou emoção.”
 Obs.: uma dúvida surge porque atualmente o substantivo poetisa tem, para alguns, um sentido pejorativo. Atualmente as escritoras se intitulam poetas e não poetisas, afirmando uma maior dignidade e qualidade de trabalho em poeta. Neste sentido, a palavra poeta se apresenta como sendo um substantivo de dois gêneros, ou seja, o poeta e a poeta. Para alguns especialistas, as duas formas para referir-se às escritoras, Poeta e Poetisa, são válidas, pois são dicionarizadas e admitidas na linguagem escrita e oral. 
Encontrei essa frase na internet e compartilho aqui nas Dicas de Português:
“Vamos poetizar o mundo! Gentileza e emoção só nos fazem bem!”


terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Através de ou por meio de?


Nesse caso, não existe certo ou errado, pois as duas locuções adverbiais estão corretas. Contudo, ainda que muitas pessoas confundam, elas não são equivalentes, isto é, não são locuções sinônimas. Observe o emprego adequado de cada uma delas:

Por meio de: A locução adverbial por meio de está relacionada com a ideia de instrumento, instrumento utilizado na execução de determinada ação. Pode ser substituída pelas expressões mediante e por intermédio de sem qualquer prejuízo de sentidos. 

 Observe os exemplos:
Soubemos da triste notícia por meio dos telejornais.
Os funcionários foram demitidos por meio de um comunicado.

Através de: A locução adverbial através de deve ser empregada quando a intenção for indicar movimento físico, ou seja, indicar a ideia de atravessar algo

Observe os exemplos:
Viu a cidade ficar cada vez menor através da janela do avião.
A claridade entrou no quarto através da fresta.