terça-feira, 30 de janeiro de 2018

Curiosidades etimológicas

Qual é a origem da palavra piscina? E o que significa o elemento “dromo” de autódromo, hipódromo, sambódromo e camelódromo?

1) Piscina vem de peixe. Na sua origem, piscina é um “viveiro de
peixes”. É um reservatório de água onde era comum criar peixes. Hoje em dia, designa também um tanque artificial para natação. Em razão disso, nós fomos para a piscina e pusemos os peixes no aquário, que vem de água.

Além da piscina, é bom lembrarmos outras palavras derivadas de peixe: pisciano (quem nasce sob signo de Peixes); piscicultura (arte de criar e multiplicar peixes); pisciforme (que tem forma de peixe); piscoso (lugar em que há muito peixe).

2) Dúvida de muitos: “O elemento de composição dromo, de
origem grega, tem o significado de “lugar para correr”, como atestam os bons dicionários. Assim existem as palavras autódromo, velódromo, hipódromo...

Entretanto, o popular, nos últimos anos, fez a criação de sambódromo, camelódromo, para designar, respectivamente, o lugar onde as escolas de samba desfilam e o lugar onde se reúnem os camelôs. Esses neologismos, que estão sendo incorporados ao idioma, estariam “errados”, já que o que se faz num sambódromo e num camelódromo não é nenhuma corrida.”

A crítica se deve à alteração do sentido original do elemento “dromo” (=pista, lugar para corridas). Daí o autódromo, que é o local próprio para corridas de automóveis; o hipódromo, que é a pista para corrida de cavalos; velódromo, para corridas de bicicletas.

Hoje em dia, “dromo” passou a designar apenas o “lugar”, e não mais a pista: sambódromo é o lugar para os desfiles de escolas de samba (não há a necessidade de nossos sambistas desfilarem “correndo”); camelódromo é o local próprio para os camelôs venderem suas mercadorias (lá, os camelôs não precisam fugir “correndo”); fumódromo é o local apropriado para os fumantes (não significa que é preciso fumar “correndo” para voltar logo ao trabalho).


A língua é viva. Em razão disso, não há nada errado em uma palavra ou elemento formador ganhar novos sentidos e usos. É dessa forma que as línguas evoluem e se transformam com o passar dos tempos. A língua portuguesa que falamos hoje não é a mesma dos nossos avós, não é a mesma dos tempos de Machado de Assis e José de Alencar, muito menos da época de Camões.

As mudanças fazem parte da evolução das línguas vivas. Isso é natural.

Cuidado para não cair em armadilhas!

1ª) Policiais não deteram os criminosos.
                   Deve ser por isso que os criminosos fogem. O verbo DETER é derivado de TER, logo deve seguir sua conjugação. Se eles TIVERAM, o correto é DETIVERAM.

2ª) Foram chamados os que ainda não deporam na CPI.
                   Assim ninguém vai depor. Os derivados do verbo PÔR devem seguir sua conjugação. Se eles PUSERAM, o correto é DEPUSERAM.

3ª) O juiz já interviu no caso.
                   Se “interviu”, foi mal. O verbo INTERVIR deve seguir a conjugação do verbo VIR. Se ele VEIO, “o juiz já INTERVEIO no caso”.

4ª) Ele não tinha intervido no caso.
                   Assim não dá. O particípio do verbo VIR é VINDO (igual ao gerúndio). O correto, portanto, é “Ele não tinha INTERVINDO no caso”.

5ª) Está prevista uma paralização para a próxima semana.
                   Será um fracasso. Se paralisia se escreve com “s”, as palavras derivadas devem ser grafas com “s”: paralisar e PARALISAÇÃO.

6ª) Ele luta por sua ascenção profissional.
                   Assim fica difícil. Os substantivos derivados de verbos terminados em “-ender” (apreender, pretender, compreender, ascender) devem ser escritos com “s”: apreensão, pretensão, compreensão, ASCENSÃO.

7ª) Viajou a Tókio.
                   Não conheço essa cidade: com acento e “k”. Isso não é português nem inglês, que não tem acentos gráficos. A forma aportuguesada é TÓQUIO.

8ª) Era lutador de karatê.
                   A letra “k” não combina com acento gráfico. É mistura de inglês com português. A forma aportuguesada é CARATÊ.

9ª) Vire a esquerda.
                    Aprender crase em placa de trânsito é um perigo. Formas femininas que indicam “lugar, direção” recebem acento indicativo da crase: “Vire à esquerda”.

10ª) Obras à cem metros.
                   Não disse que placa de trânsito é um perigo? Não põe o acento da crase quando deve, e põe quando não deve. Antes de palavras masculinas, não há crase: “Obras a cem metros”.


Por Sérgio Nogueira

sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

Sub-item, sub item ou subitem?

A grafia correta é sem espaço e sem hífen: subitem, assim como subirrigação, subintendente, subaluguel, subemprego, subequatorial, subagência, subalimentação, subagudo, isso porque diante de um substantivo ou adjetivo iniciado por vogal não se usa o hífen depois do prefixo SUB.

O hífen, no caso de SUB, deve ser empregado diante de R ou B, por isso escrevemos sub-reitor, sub-reptício, sub-rogar, sub-rotina, sub-repasse  [se escrito junto, a pronúncia ficaria como em /sobre/ ] e sub-base, sub-bloco, sub-bibliotecária etc.

Mais estranho ainda é escrever subumano, subumanitário, não é? A lei assim determina, mas também são aceitáveis as variações sub-humano e sub-humanitário – formas menos usadas, segundo o dic. Houaiss (2002).

quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

Em cima ou encima?

Se você respondeu que as duas formas estão corretas, acertou! Em cima e encima existem e, apesar das semelhanças, têm significados diferentes. Observe alguns exemplos:

Os livros foram deixados em cima da mesa
ou
Os livros foram deixados encima da mesa?

Nessa situação específica, a intenção enunciativa era a de dizer que o livro fora deixado sobre a mesa, ou seja, a expressão em cima atuou como um advérbio de lugar. Escrita assim, de forma separada, em cima transmite a ideia de que algo está em uma posição mais elevada, ou seja, em um lugar mais alto. Portanto, apenas a primeira frase está correta. Agora, observe outro exemplo:

Um laço vermelho encima o cabelo da menina.
ou
Um laço vermelho em cima o cabelo da menina?

Das duas orações, apenas a primeira está correta. Isso porque encima, escrito de forma junta, é a forma do verbo encimar conjugado na terceira pessoa do singular do presente do indicativo ou na segunda pessoa do singular do imperativo:
Presente do indicativo (verbo encimar)
Imperativo afirmativo
Eu encimo
----
Tu encimas
Encima tu
Ele/ela encima
Encime ele/ela
Nós encimamos
Encimemos nós
Vós encimais
Encimai vós
Eles/elas encimam
Encimem eles/elas
Na frase “Um laço vermelho encima o cabelo da menina”, o verbo encimar está conjugado na terceira pessoa do singular do presente do indicativo. Mas você sabe o que é encimar? É o mesmo que colocar ou se situar em cima ou no alto, bem como o ato de coroar.

quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

Como flexionar o verbo “haver”?

Um erro muito comum, observado principalmente na comunicação oral, é a flexão do verbo “haver”.

Esse verbo, no sentido de “ocorrer” ou “existir”, é impessoal. Isso significa que permanece na terceira pessoa do singular, pois não tem sujeito. Portanto, é errônea a flexão do verbo no plural. É provável que a origem do erro seja a associação da conjugação do verbo “haver” com os verbos “existir” e “ocorrer”. Estes têm sujeito e, portanto, flexionam-se de acordo com o número e a pessoa.
Exs.:
Ocorrerão mudanças.
Existirão mudanças.
Com o verbo “haver”, a regra é diferente – permanece no singular:
Ex.:
Haverá mudanças.

Como sinônimo dos verbos “ocorrer” e “existir”, portanto, o verbo “haver” permanece invariável.

Não se pode, no entanto, afirmar que o verbo “haver” nunca vai para o plural. Ele pode, por exemplo, desempenhar a função de verbo auxiliar (que indica pessoa, tempo e modo verbal; sinônimo de “ter” nos tempos compostos). Nesse caso, o verbo é conjugado no plural.
Exs.:
Eles haviam chegado cedo.
Eles tinham chegado cedo.

Além disso, como verbo pessoal (com sujeito), pode assumir o sentido de “obter”, “considerar”, “lidar”, ainda que esses usos sejam menos recorrentes:
Houveram (= “obter”)  do juiz a comutação da pena (sujeito: “comutação da pena”).
Nós havemos (= “considerar”) por honesto. (sujeito: “nós”)
Os alunos houveram-se (= “lidar”) muito bem nos exames. (sujeito: “os alunos”)

O verbo “haver”, portanto, precisa ser usado com atenção (especialmente, quando ele é impessoal), para evitar erros gramaticais.



Fonte: CPDEC - Centro de Pesquisa Desenvolvimento e Educação Continuada

quarta-feira, 30 de agosto de 2017

Erros comuns da Língua Portuguesa que são fáceis de evitar:


1. Estou viajando à trabalho
O correto: “Estou viajando a trabalho”.
A crase é uma conjunção da preposição “a” com o artigo definido “a”. Por isso, não deve ser usada antes de palavras masculinas.
2. Fazem duas horas que eu almocei
O correto: “Faz duas horas que eu almocei”.
O verbo “fazer”, quando indica tempo transcorrido, não deve ser flexionado.
3. Existe mais coisas entre o céu e a terra
O correto: “Existem mais coisas entre o céu e a terra”.
O verbo “existir” sempre tem sujeito e deve concordar com ele.
4. Houveram muitas manifestações contra a medida
O correto: “Houve muitas manifestações contra a medida”.
O verbo “haver”, usado no sentido de “existir” e “ocorrer” é impessoal e, portanto, não deve ser flexionado.
5. Assisti o filme hoje
O correto: “Assisti ao filme hoje”.
O verbo assistir, no sentido de ver, exige a preposição “a”.
6. Vim aqui afim de discutir uma questão
O correto: “Vim aqui a fim de discutir uma questão”.
“A fim” de indica ideia de finalidade. “Afim” é um adjetivo que indica ideia de semelhança. Exemplo: “Nossas crenças são afins”.
7. Ela assistiu a uma série ao invés de um filme
O correto: “Ela assistiu a uma série em vez de um filme”.
A expressão “ao invés de” é usada para oposição, e não pode ser usada quando queremos dizer “em lugar de”.
8. Seja bem vindo!
O correto: Seja bem-vindo!
“Bem-vindo” é uma exceção à regra do acordo ortográfico que determina que o advérbio mal só requer hífen se a palavra seguinte começar com vogal ou com a letra “H”.
9. Comuniquei através de um e-mail
O correto: Comuniquei por meio de um e-mail.
A locução “através de” significa atravessar fisicamente algo.
10. Aonde você mora? 
O correto: Onde você mora?
O advérbio “aonde” deve ser usado apenas quando acompanhado de verbo que exige o uso da preposição “a”.
11. Não fique mau informado
O correto: Não fique mal informado.
“Mal” é o contrário de “bem”. “Mau” é o contrário de “bom”.
12. Não há nada a fazer se não continuar caminhando
O correto: “Não há nada a fazer senão continuar caminhando”.
“Senão” significa “a não ser”, “mas” ou “caso contrário”. “Se não” acompanha orações subordinadas condicionais. Ex.: “Se não der certo, temos uma alternativa”.
13. Ele estava ali há muito tempo
O correto: “Ele estava ali havia muito tempo”.
Quando o verbo que acompanha “haver”está no imperfeito ou no mais-que-perfeito, deve-se usar “havia”, e não “há”.
14. Estava uma confusão, até que a polícia interviu. 
O correto: “Estava uma confusão, até que a polícia interveio.”
O verbo “intervir” deve ser conjugado tal qual o verbo “vir”, do qual deriva. Exemplo: “Ele veio”, “Ele interveio”.
15. Hoje quem media o debate é o professor
O correto: “Hoje quem medeia o debate é o professor”.
“Mediar” é um verbos irregular e deve ser conjugado como “incendiar”. Ex.: “Eu medeio”, “Eu incendeio”.
16. Já respondeu o meu e-mail?
O correto: Já respondeu ao meu e-mail?
“Responder” no sentido de dar resposta a alguém exige a preposição “a”.

terça-feira, 27 de junho de 2017

Oxímoro?


Camões, tão conhecido poeta português, escreveu esses versos quase todos baseados em oxímoros. Leia os versos a seguir:
“Amor é fogo que arde sem se ver
É ferida que dói e não se sente
É um contentamento descontente
É dor que desatina sem doer”.
(Camões)
Nestes versos, percebe-se que o poeta constrói o sentido do Amor-idéia, amor universal, filosofando a respeito do amor, não falando de seus sentimentos pessoais. Para isso, ele se apropria de elementos que, apesar de se excluírem mutuamente, se fundem num mesmo referente, constituindo afirmações aparentemente sem lógica.
Esse mesmo efeito de contradição acontece neste trecho de Carlos Drummond de Andrade:
“Eu fujo ou não sei não, mas é tão duro este infinito espaço ultra fechado”.
Observe que a afirmação sublinhada contraria o consenso, englobando simultaneamente duas idéias opostas. A esse tipo de figura de expressão chamamos paradoxo ou oxímoro.
O oxímoro ou paradoxo é um tipo de antítese que se manifesta de uma maneira mais radical. Apesar de serem parecidas, elas se diferenciam por que no paradoxo duas idéias opostas se excluem mutuamente num mesmo referente, criando um efeito de contradição:
“A explosiva descoberta
Ainda me atordoa.
Estou cego e vejo.
Arranco os olhos e vejo”.
(Carlos Drummond de Andrade)
“Menino do rio,
calor que provoca arrepio”.
(Caetano Veloso)
Na antítese, no entanto, o sentido é construído a partir do confronto entre idéias opostas:
“Queria um apoio, um horizonte limitado, não o mar sem fim”.  (Autran Machado)
Em síntese, oximoro ou paradoxo é a figura de linguagem que consiste em empregar palavras que, mesmo opostas quanto ao sentido se fundem num mesmo enunciado.
A canção “Sítio do Pica-pau amarelo”, de Gilberto Gil, também é famosa pelas características paradoxais que apresenta, em proporções admiravelmente inovadoras. Nela, a marmelada é feita de banana, a bananada de goiaba, entre outras.
“Marmelada de banana
Bananada de goiaba
Goiabada de marmelo
Sítio do pica-pau amarelo (bis)
Boneca de pano é gente
Sabugo de milho é gente
O sol nascente é tão belo
Sítio do pica-pau amarelo (bis)
Rios de prata piratas
Vôo sideral na mata
Universo paralelo
Sítio do pica-pau amarelo (bis)
No país da fantasia
Num estado de euforia
Cidade polichinelo
Sítio do pica-pau amarelo (bis)."

Referências Bibliográficas:
CEREJA, William Roberto e MAGALHÃES, Thereza Cochar. Literatura Brasileira em diálogo com outras literaturas. 3 ed. São Paulo, Atual editora, 2005, p.38-9.
MESQUITA, Roberto Melo. Gramática da Língua Portuguesa. 8 ed. São Paulo, Saraiva, 2005, p. 562.
PIRES, Orlando. Manual de Teoria e Técnica Literária. Rio de Janeiro, Presença, 1981, p. 103-4.
SAVIOLE, Francisco Platão. Gramática em 44 lições. 15 ed. São Paulo, Ática, 407, 12-13.

domingo, 4 de junho de 2017

Contudo ou Com tudo?

As duas foras estão corretas em seus respectivos contextos, sua pronúncia é igual, mas sua escrita e significados são diferentes. Devido a isso, ocorrem muitas confusões para escrever essas palavras, confundindo significados ou trocando as grafias.

O que significa Contudo?

Trata-se de uma conjunção adversativa, que tem como função contradizer ou dificultar alguma coisa, causando adversidades. Tem como significado mas, porém ou todavia. 
Exemplos:

“Gostaria de ir à festa, contudo não tenho companhia”
“Telefonei várias vezes para a empresa, contudo ninguém atendeu.”

O que significa com Com tudo?

Tem relação com quantidade, formada pela preposição “com” e o pronome “tudo”, tendo como significado “com todas as coisas.”

Exemplos

“Não perca: Viagem para Natal com tudo incluído”
“Vou casar com tudo o que tenho direito”
 
Gramática da Língua Portuguesa